E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais — Becca Mackenzie
Divertido, emocionante e cheio de propósito, com fé, família, saúde mental e um romance fofo demais, só faltou a autora nos dar muito mais Murilo.

Tem livro que a gente gosta.
Tem livro que a gente ama.
E tem livro que termina e deixa aquela sensação de: eu precisava ter lido isso.
E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais foi esse tipo de leitura para mim. Eu devorei o livro em dois dias e, quando terminei, fiquei com aquela mistura maravilhosa de emoção, carinho pelos personagens e vontade de pensar um pouco mais na vida.
E isso, para mim, é exatamente o que uma boa ficção cristã deveria fazer.
A história acompanha Beatrice em uma jornada que mistura escolhas, possibilidades, relações familiares, amizade, saúde mental, propósito e fé. E uma das coisas que mais gostei foi justamente perceber que a trama não existe só para sustentar um romance.
Beatrice tem uma história própria. Ela erra, toma decisões que eu não concordo, se confunde, precisa amadurecer e aprender algumas coisas da maneira difícil. E mesmo assim — ou talvez por isso — eu gostei muito dela.
Porque ela parece humana.
E eu gosto de personagens assim: não precisam ser perfeitos, mas precisam ter uma jornada que faça sentido.
O que mais me conquistou foi como o livro trabalha vários tipos de amor.
Amor entre amigos. Amor familiar. Amor romântico. Amor próprio. E, principalmente, o amor de Deus.
Nada parece estar ali só para preencher espaço. As relações têm peso, as escolhas têm consequência e existe uma preocupação muito bonita em mostrar que viver bem não significa apenas conseguir exatamente aquilo que queremos.
Em vários momentos, o livro me fez pensar sobre propósito, prioridades e sobre as diferentes formas como Deus pode conduzir uma vida.
E eu amo quando uma história cristã consegue fazer isso sem virar uma pregação disfarçada de romance.
Deus está presente. A fé importa. As escolhas espirituais importam. Mas tudo aparece dentro da vida dos personagens, de forma natural.
Agora precisamos falar de Murilo.
Obviamente😂
Murilo aparece pouco. Muito pouco. Criminosamente pouco.
Mas nas poucas vezes em que aparece, ele simplesmente rouba a cena. Ele é fofo, gentil, tem química com Beatrice e consegue fazer exatamente aquilo que eu amo em um romance: você olha para os dois e pensa:
“MEU DEUS, SÃO ELES.”
Sem precisar de cinquenta capítulos de enrolação.
Minha única reclamação real com o livro é justamente essa: eu queria mais romance.
Não porque a história precisasse disso para funcionar, ela funciona perfeitamente sem colocar o casal no centro, mas porque Murilo e Beatrice têm uma dinâmica tão gostosa que eu teria amado acompanhar um pouco mais dessa construção antes do epílogo.
A resolução romântica funciona. Eu só queria ter saboreado mais.
Sou uma romântica incurável, fazer o quê? 😂
Outra coisa que ganhou muitos pontos comigo foi a abordagem de saúde mental.
Eu gosto muito quando uma história cristã reconhece que amadurecimento espiritual e emocional caminham juntos.
Nem todo problema desaparece porque alguém “teve fé suficiente”. Pessoas precisam entender seus padrões, lidar com feridas, reconhecer escolhas ruins e aprender novas formas de viver.
E achei muito bonito como o livro trabalha isso junto com a fé.
Além disso, as relações familiares são lindas e complexas. Não existe aquela sensação de que os personagens só existem para empurrar a protagonista de uma cena para outra. Eles têm suas próprias dores, afetos e importância dentro da história.
Isso deixa tudo muito mais vivo.
Vale a pena ler E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais?
Para mim, muito.
Esse foi um dos melhores romances cristãos contemporâneos que li até agora. É divertido, emocionante, sensível e cheio de significado.
Tem Deus na medida certa, sem parecer artificial. Tem romance fofo, sem transformar a história inteira em romance. Tem personagens imperfeitos, mas que crescem.
E, principalmente, tem aquilo que eu mais procuro em ficção cristã:
uma história que continua com você depois que o Kindle apaga.
Terminei pensando nas escolhas da Beatrice, nas relações que construímos, em propósito, em como Deus age nas nossas vidas e no tipo de pessoa que queremos nos tornar.
Se tivesse um pouco mais de Murilo? 10/10.
Como a autora decidiu nos alimentar com migalhas românticas deliciosas e depois ir embora… 9,8/10.
Ainda assim, lindo. E definitivamente uma história que vou lembrar com carinho.
Comunidade
Comentários
Carregando comentários…