Jade Lopes

E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais — Becca Mackenzie

Divertido, emocionante e cheio de propósito, com fé, família, saúde mental e um romance fofo demais, só faltou a autora nos dar muito mais Murilo.

4 min de leituraPor Jade LopesEdição por Jade Lopes
E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais — Becca Mackenzie

Tem livro que a gente gosta.

Tem livro que a gente ama.

E tem livro que termina e deixa aquela sensação de: eu precisava ter lido isso.

E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais foi esse tipo de leitura para mim. Eu devorei o livro em dois dias e, quando terminei, fiquei com aquela mistura maravilhosa de emoção, carinho pelos personagens e vontade de pensar um pouco mais na vida.

E isso, para mim, é exatamente o que uma boa ficção cristã deveria fazer.

A história acompanha Beatrice em uma jornada que mistura escolhas, possibilidades, relações familiares, amizade, saúde mental, propósito e fé. E uma das coisas que mais gostei foi justamente perceber que a trama não existe só para sustentar um romance.

Beatrice tem uma história própria. Ela erra, toma decisões que eu não concordo, se confunde, precisa amadurecer e aprender algumas coisas da maneira difícil. E mesmo assim — ou talvez por isso — eu gostei muito dela.

Porque ela parece humana.

E eu gosto de personagens assim: não precisam ser perfeitos, mas precisam ter uma jornada que faça sentido.

O que mais me conquistou foi como o livro trabalha vários tipos de amor.

Amor entre amigos. Amor familiar. Amor romântico. Amor próprio. E, principalmente, o amor de Deus.

Nada parece estar ali só para preencher espaço. As relações têm peso, as escolhas têm consequência e existe uma preocupação muito bonita em mostrar que viver bem não significa apenas conseguir exatamente aquilo que queremos.

Em vários momentos, o livro me fez pensar sobre propósito, prioridades e sobre as diferentes formas como Deus pode conduzir uma vida.

E eu amo quando uma história cristã consegue fazer isso sem virar uma pregação disfarçada de romance.

Deus está presente. A fé importa. As escolhas espirituais importam. Mas tudo aparece dentro da vida dos personagens, de forma natural.

Agora precisamos falar de Murilo.

Obviamente😂

Murilo aparece pouco. Muito pouco. Criminosamente pouco.

Mas nas poucas vezes em que aparece, ele simplesmente rouba a cena. Ele é fofo, gentil, tem química com Beatrice e consegue fazer exatamente aquilo que eu amo em um romance: você olha para os dois e pensa:

“MEU DEUS, SÃO ELES.”

Sem precisar de cinquenta capítulos de enrolação.

Minha única reclamação real com o livro é justamente essa: eu queria mais romance.

Não porque a história precisasse disso para funcionar, ela funciona perfeitamente sem colocar o casal no centro, mas porque Murilo e Beatrice têm uma dinâmica tão gostosa que eu teria amado acompanhar um pouco mais dessa construção antes do epílogo.

A resolução romântica funciona. Eu só queria ter saboreado mais.

Sou uma romântica incurável, fazer o quê? 😂

Outra coisa que ganhou muitos pontos comigo foi a abordagem de saúde mental.

Eu gosto muito quando uma história cristã reconhece que amadurecimento espiritual e emocional caminham juntos.

Nem todo problema desaparece porque alguém “teve fé suficiente”. Pessoas precisam entender seus padrões, lidar com feridas, reconhecer escolhas ruins e aprender novas formas de viver.

E achei muito bonito como o livro trabalha isso junto com a fé.

Além disso, as relações familiares são lindas e complexas. Não existe aquela sensação de que os personagens só existem para empurrar a protagonista de uma cena para outra. Eles têm suas próprias dores, afetos e importância dentro da história.

Isso deixa tudo muito mais vivo.

Vale a pena ler E-mails Mágicos e Seus Efeitos Colaterais?

Para mim, muito.

Esse foi um dos melhores romances cristãos contemporâneos que li até agora. É divertido, emocionante, sensível e cheio de significado.

Tem Deus na medida certa, sem parecer artificial. Tem romance fofo, sem transformar a história inteira em romance. Tem personagens imperfeitos, mas que crescem.

E, principalmente, tem aquilo que eu mais procuro em ficção cristã:

uma história que continua com você depois que o Kindle apaga.

Terminei pensando nas escolhas da Beatrice, nas relações que construímos, em propósito, em como Deus age nas nossas vidas e no tipo de pessoa que queremos nos tornar.

Se tivesse um pouco mais de Murilo? 10/10.

Como a autora decidiu nos alimentar com migalhas românticas deliciosas e depois ir embora… 9,8/10.

Ainda assim, lindo. E definitivamente uma história que vou lembrar com carinho.

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